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	<title>Esperando tradução</title>
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		<title>Esperando tradução</title>
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		<title>Perdição</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2011 04:44:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos de Anaize]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela seguia à passos milimetricamente cuidadosos, suspirando à cada esquina. Tentava conter-se, mas era praticamente impossível manter a euforia distante quando estava prestes a estar ao lado dele. Ele, que dominava seus pensamentos dia e noite, e que, sabia ela, não podia fazer parte deles. Ela estava ciente de que era um erro até mesmo imaginar <a href="http://punknidea.wordpress.com/2011/03/22/perdicao/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=141&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ela seguia à passos milimetricamente cuidadosos, suspirando à cada esquina. Tentava conter-se, mas era praticamente impossível manter a euforia distante quando estava prestes a estar ao lado <em>dele</em>. Ele, que dominava seus pensamentos dia e noite, e que, sabia ela, não podia fazer parte deles. Ela estava ciente de que era um erro até mesmo imaginar tê-lo ao seu lado, tremulando à simples ameaça de cena entre ambos que ousasse ultrapassar sua mente em um lampejo. Era errado, muito, muito errado. E, ainda assim, inevitável.</p>
<p>Segurando a respiração e sentindo o coração martelar contra o peito, tocou a campainha. A casa era simples, de um branco maculoso e lapidado. Um piso, apenas, e todo um mundo dentro dela. Uma vastidão imensa que ela esperava explorar centímetro por centímetro, mas sabia que era impossível. Impossível e dúbio. Afinal, ninguém mencionou que ele tivera o remoto interesse nela que fosse. De que adiantaria as pernas bambas e o rubor invadindo as bochechas se ele nem pararia para perceber que suas mãos tremiam e sua voz arfava pelo simples vislumbre do rosto dele diante de si?</p>
<p>O portão abriu automaticamente e, da porta, ele acenou. Sorriu, com dentes meio tortos, porém perfeitos ao seu olhar. Ela amava cada célula do corpo dele, cada detalhe ínfimo e distinto que ele possuía. Até os defeitos &#8211; esses, ela bem notava, faziam com que ele tornasse-se ainda mais irresistível diante de seus olhos.</p>
<p>Silenciosamente, ela entrou dentro da casa. Nenhum dos dois disse uma palavra sequer o caminho inteiro. Alguns poucos olhares foram trocados, e, sem que fala alguma fosse dita, entraram na sala de estudos, revestida de madeira negra e polida. Havia uma escrivaninha em estilo rústico encostada à parede, embaixo da janela que dava vista para um imenso e vasto gramado verde e cintilante. Uma estante abarrotada de livros e anotações estava do outro lado do recinto, e um computador jazia um pouco atrás dela, desligado. Apenas quatro paredes estreitas compunham o ambiente com ar fascinante.</p>
<p>- Sente-se. &#8211; Disse ele, sem olhar diretamente em seus olhos.</p>
<p>Ela tinha um problema sério com a escrita. Escrevia, mas nunca em linha reta e as palavras desenhavam traços tortos e erradiços página afora. Ela não conseguia se concentrar ao escrever, e tudo que tentava pôr no papel parecia formar desenhos geométricos e indefiníveis diante de seus olhos. Ela nunca entendia o que havia escrito depois de tê-lo feito.</p>
<p>Sentada na cadeira estofada, colocou o caderno diante de si, aberto em uma folha em branco qualquer, e desatou a escrever do seu jeito libertino outra vez. Ele suspirou, e ela tremeu. O suor começava a formar gotículas por baixo de sua blusa, e um calor intenso pareceu entrar janela adentro, esquentando-a por inteiro.</p>
<p>Ela passou a mão pelos cabelos compridos e enrolou-os, tentando prendê-los para que ficassem um pouco fora do caminho de seu pescoço. Dessa forma parecia que o calor diminuía, e ela se sentia mais tranquila podendo ver os fios castanhos descerem em cascata sobre o ombro e o peito esquerdos.</p>
<p>- Não, não. Assim. &#8211; Ele colocou sua mão esquerda sobre a dela, posicionando-a de forma a não ficar por cima das linhas em que tinha que escrever. Segurou-a, e, levemente, levou-a até a folha que fazia par com que a que ela utilizava no caderno em espiral.</p>
<p>Ela olhava avidamente, tentando não piscar, para não perder um segundo sequer daquele instante breve. Enquanto os dedos dele roçavam os seus, ela lutava consigo mesma para não passá-los de leve uns sobre os outros, acariciando a mão comprida e grossa que ele possuía. Delicadamente, ele retirou a mão da dela, que estagnou-se sobre o papel. Imperceptivelmente, colocou os dedos sobre os dela um segundo a mais, para que ficassem retos e relaxados aonde se encontravam.</p>
<p>- Agora, relaxe. Não pense na posição em que sua mão se encontra, apenas deixe-a ali, confortavelmente. &#8211; Com a mão direita, ele segurou a sua e fez com que ela mantesse a caneta firme. Começaram, juntos, a deslizá-la sobre as linhas, em perfeita sincronia, como se tivessem feito isso milhares de vezes antes.</p>
<p>Cedo demais, ele retirou os dedos dos seus e permitiu que ela escrevesse por conta própria. Devagar, ela via a tinta formando-se em uma palavra nítida e esbelta, enquanto escolhia, cuidadosamente, qual deveria pôr no papel.</p>
<p>Ele se moveu e, desleixadamente, seu braço roçou no dela por um instante. Ela tremeu por inteiro, e a caneta, que antes deslizava bela e formosa, agora tracejava formas sem sentido. Havia retornado a escrever tortuosamente.</p>
<p>- Tudo bem, essa foi só a primeira vez. Não se repudie por errar, isso é normal. &#8211; Novamente seus dedos sobrepuseram-se aos dela e retomaram a escrita. A palavra agora parecia existir de verdade, e não ser apenas um rabisco sem sentido.</p>
<p><em>A… m… o… r.</em> Escreveram, juntos. Ela conteve-se para não falar nenhuma besteira e apenas fitou o papel.</p>
<p>- Tente novamente.</p>
<p>E ela recomeçou o trabalho. Dessa vez, a frase construída saiu teimosamente. Em perfeita ortografia, ela continuou da linha onde pararam e terminou a sentença: “Amor é a esperança à qual se segura quando o resto inteiro do mundo parece esvaecer.” Ela sorriu, satisfeita consigo mesma, e tornou a formular novas orações.</p>
<p>Ele sentou-se ao seu lado, perto o suficiente para que ela sentisse sua respiração às suas costas. O calor repentino voltara, e sua blusa agora começava a prender em seu corpo. Fios teimosos de seu cabelo insistiram em cair, e agora já tapavam o vento tranquilo que gelava a pele de seu pescoço.</p>
<p>Delicadamente, ele tirou os fios e os pôs no lugar. Uma linha de fogo formou-se aonde os dedos dele roçaram sua pele, e ela sentiu-se em combustão. Seu coração palpitava incontrolavelmente, e a respiração estava entrecortante.</p>
<p>Ela parou de escrever e permaneceu estagnada na cadeira. Era como se estivesse presa a ela, e o mundo inteiro parecia ter congelado ao seu redor. Os lábios dele tocaram seu pescoço, e ela soltou a respiração em lufadas vagarosas. Ela sentiu-o subir e rustir no lóbulo de sua orelha, por onde parou por alguns segundos. Ambos estavam praticamente imóveis, e, juntos, suspiraram. Ele segurou seu braço direito com um desejo incontido, e ela já não agarrava-se mais à razão. Virou-se, entrelaçou os dedos em seu cabelo e o beijou terna e calorosamente, como nunca havia beijado na vida.</p>
<p>Ele segurou-a e ambos levantaram, sem nunca desgrudarem-se. Ela tomou impulso e enrolou as pernas na cintura dele, que abraçou-a fortemente pelos quadris e colocou-a em cima da escrivaninha. Derrubaram todo e qualquer impecilho que havia sobre ela: Livros, cadernos, canetas, anotações, rabiscos. Esqueceram a janela às suas costas e, num compasso perfeito, amaram-se louca e lentamente, como que descontando todas os momentos em que quiseram estar juntos e nunca puderam se tocar.</p>
<p><strong>Anaize Jacinto</strong></p>
<br />Filed under: <a href='http://punknidea.wordpress.com/category/textos-de-anaize/'>Textos de Anaize</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/punknidea.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/punknidea.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/punknidea.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/punknidea.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/punknidea.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/punknidea.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/punknidea.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/punknidea.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/punknidea.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/punknidea.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/punknidea.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/punknidea.wordpress.com/141/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/punknidea.wordpress.com/141/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/punknidea.wordpress.com/141/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=141&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Indecifrável</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Dec 2010 04:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Eu acordara horas antes para poder me arrumar. Eu juro, se eu continuasse parada me olhando no espelho por mais um segundo, eu vomitaria meu coração pela boca. Não havia mais espaço para borboletas em meu estômago &#8211; elas pareceram se metamorfosear e transformar-se em algo maior, muito maior e mais esvoaçante. Por fim, quando <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/12/indecifravel/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=137&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu acordara horas antes para poder me arrumar. Eu juro, se eu continuasse parada me olhando no espelho por mais um segundo, eu vomitaria meu coração pela boca. Não havia mais espaço para borboletas em meu estômago &#8211; elas pareceram se metamorfosear e transformar-se em algo maior, muito maior e mais esvoaçante. Por fim, quando não aguentei mais esperar e ficar mórbida no mesmo lugar, peguei minha bolsa, dei uma última ajeitada no cabelo e saí porta afora.</p>
<p>O dia brilhava, o céu tornara-se um azul límpido e resplandecente e o sol reluzia dourado e cintiliante no alto da abóbada natural. Coloquei meus óculos de sol e caminhei até o ponto de ônibus, com as mãos trêmulas, prevendo o encontro que aconteceria logo depois. Quando subi no transporte coletivo, não faço ideia de como consegui encontrar o passe. Minhas mãos não me obedeciam, e tive que sentar e respirar por segundos firmes até sentir que estava pronta novamente para encontrá-lo e entregá-lo ao cobrador, que parecia achar a minha tortura divertida.</p>
<p>O caminho, outrora curto para mim, parecia interminável. Apesar das cores vivas que eu nunca houvera notado, ele permanecia o mesmo, mas algo maior fazia com que os minutos se arrastassem lentos demais. Eu continuei lá, sentada no assento mais escondido possível, ouvindo minha música calma no <em>music player</em>. Eu olhava a tela do meu celular a todo momento, receiando uma mensagem dele dizendo que não poderia ir.</p>
<p>Quando cheguei ao terminal, desci do ônibus flutuando. Eu mal sentia minhas pernas, sintoma de um aviso prévio de que ele estaria por perto. Caminhei estranhamente, sentindo meu coração acelerar a todo instante, sem nunca diminuir o passo. Pensei que ele não estaria no local marcado quando eu chegasse, porém, quando enfim levantei os olhos do chão de cimento para olhar o ponto de encontro, ele jazia lá, sentado, calmamente, como se estivesse ali a vida inteira.</p>
<p>Ele sorriu ao me ver. Deu meu sorriso preferido, aquele desleixado, meio de lado e constrangido, que ele às vezes costumava dar ao me ver de surpresa. O mundo inteiro pareceu sorrir junto com ele nesse momento, e respondi com um sorriso de orelha a orelha &#8211; talvez o sorriso mais largo que eu jamais dera em toda a minha vida. Cumprimentamo-nos, como de costume, e abraçamo-nos, como costumávamos fazer em nossos encontros inesperados.</p>
<p>A conversa fluiu tranquilamente durante o trajeto. Eu não tinha controle do tempo, mas ele parecia estar correndo uma maratona naquele instante. Só percebi que havíamos chegado quando ele me cutucou e me avisou, porque, bom, acho que eu não teria percebido se ele não tivesse feito isso.</p>
<p>Entramos no <em>shopping</em> fresco e ar condicionarizado, sentindo de leve um alívio por estarmos livres do calor abafado da rua. Subimos três andares de escada rolante, rindo e falando bobagens, e paramos em frente à tela que mostrava quais filmes estavam em cartaz.</p>
<p>- Olha, eu queria ver aquele ali, que tal? &#8211; Apontei para um filme de desenho animado, que eu já havia visto, mas gostado. Eu esperava profundamente não ver cena alguma do filme outra vez.</p>
<p>- Ah, por mim, tudo bem. &#8211; Ele levantou os ombros para reforçar a ideia de indiferença e sorriu, e, juntos, pegamos a fila para comprar o ingresso. Após a compra, fomos direto à sala de cinema, tendo o filme prestes a começar.</p>
<p>Sentamos na última fileira, posicionamo-nos e assistimos ao <em>trailer</em> em silêncio. Eu estava achando aquilo torturante, porém, não disse uma palavra sequer. Eu não ousaria arriscar demais e perder tudo outra vez.</p>
<p>Quando o filme começou e o bebê apareceu, não me contive. Segurei o pulso dele por reflexo e disse, animada:</p>
<p>- Ah, olha, Max, que lindo!</p>
<p>Ele riu da minha empolgação e reclinei-me no assento outra vez, esquecendo a mão que apertava seu braço. Foi só quando ele começou a puxá-lo que lembrei que o havia deixado ali.</p>
<p>- Oh, desculpe-me. &#8211; Eu disse, desapontada. Retirei minha mão num impulso rápido e rasteiro.</p>
<p>- Não, não, é que&#8230; Eu queria&#8230; &#8211; Ele segurou meu pulso, colocou-o de volta sobre o braço do banco e pegou minha mão. Não pude evitar de sorrir e olhar, profundamente, nos olhos dele, tentando ler aquela expressão que eu nunca decifrava.</p>
<p>Ele continuava olhando fixo a tela do cinema. Não disse nada, apenas ficou ali, segurando meus dedos entre os seus, sem mover um músculo sequer. Típico. Ele era tão imprevisível! Apoiei minha cabeça sobre o braço esquerdo e joguei meu peso todo contra o lado oposto ao que ele se encontrava, frustrada.</p>
<p>Passados quinze minutos do acontecido, Max levantou o braço do assento e veio em minha direção. Continuei parada, perplexa, arfante, observando. Ele colocou a mão direita entre minha orelha e minha nuca e a esquerda circulou minha cintura. Ele trouxe-me para mais perto, beijou-me com uma doçura tenra e resolvi me entregar àquele beijo.</p>
<p>Foi quando Max me soltou bruscamente que acordei de nosso momento especial.</p>
<p>- Desculpe, Julie, mas não posso fazer isso.</p>
<p>Ele havia abaixado o braço do banco, colocado o cotovelo em cima, cerrado o punho e apoiado-o no queixo. Irritei-me. Aquela incerteza toda havia passado dos limites, e eu já não suportava mais não saber o que se passava naquela mente confusa.</p>
<p>- Olha, Max, o que que queres, afinal? Eu não entendo, juro que não! Sabes que eu gostava de ti no começo. Eu tentei, juro que tentei te esquecer, mas quando nos vemos e és legal e querido comigo outra vez, acabo sentindo tudo de novo. E sempre mais forte. E então, somes, ou simplesmente não me dizes o que que queres. Eu não te entendo! Se não queres nada comigo, porque não falas de uma vez? Porque não pegas e mandas eu ir, sei lá, para qualquer lugar, ao invés de ficar tentando ser legal comigo para não me machucar? É pior, sabia, isso é muito pior!</p>
<p>Ele absorveu cada palavra que eu disse com atenção e esmero. Eu estava irada, frustrada, humilhada. Havia cansado daquele joguinho incerto que ele vinha fazendo há meses.</p>
<p>- Desculpe, Julie. Não é que eu não queira, é só&#8230; Bom, eu queria que fôssemos&#8230;</p>
<p>- O que, Max, o que? Amigos? Querias que fôssemos só amigos, é isso? Porque eu não consigo ser mais só tua amiga, Max, não consigo. Prefiro não ser nada que forçar uma amizade que sei que não vou conseguir manter.</p>
<p>Dito isso, peguei minha bolsa e desci as escadas do cinema, a passos marcados e barulhentos que reverberaram pela sala inteira. Max continuou lá, parado, e não ousei olhar para trás. Sei que, se o tivesse feito, eu perderia minha coragem e voltaria correndo até seus braços, implorando para que me desse o amor que eu tinha para lhe dar em troca.</p>
<p>Abri a pesada porta de saída e deparei-me com o corredor marfim e iluminado, vazio e solitário, exceto por um ou outro cartaz de estreia de filmes futuros. Apoiei minhas costas na parede e suspirei longa e profundamente. Eu precisava de ajuda, precisava de apoio. E só havia uma pessoa no mundo habilitada para isso: minha melhor amiga.</p>
<p>Peguei, com dificuldade, o celular de dentro da bolsa e disquei, trêmula, os números de seu telefone. Meus olhos estavam marejados, mas eu continuava firme, encostada naquela parede dura e gélida que me mantinha sã, pelo menos por instantes seguros.</p>
<p>- Alô? &#8211; disse a voz que me acalmaria, do outro lado da linha.</p>
<p>- Mana? Oi, sou eu.</p>
<p>- Ah, mana, oi! Como foi, como foi? Eu quero saber! &#8211; eu sentia a empolgação dela se espalhar através do telefonema.</p>
<p>- Ah, mana, foi terrível. Eu sabia, sabia que não deveria ter dito nada! Eu sou uma idiota, mana, eu sou. Uma total e completa idiota.</p>
<p>Enquanto eu falava, olhando para o teto para as lágrimas não caírem, Max apareceu e se posicionou diante de mim. Ele segurou meu pulso direito, que mantinha firme o celular na mão, e disse:</p>
<p>- Não, Julie, não és idiota. Eu que sou, me desculpe.</p>
<p>- Max, se não gostas de mim, para de insistir. Por favor. É melhor assim.</p>
<p>- Eu não disse que não gostava de ti. Não foi o que eu quis dizer, Julie, eu só&#8230; Penso que não gosto de ti tanto quanto gostas de mim. Mas eu vou, sei que vou.</p>
<p>Meu braço pendia imóvel ao lado do meu tronco, com minha amiga ainda na linha. Max segurou meu rosto entre as mãos, olhou fundo em meus olhos e me beijou. Beijou-me com uma voracidade e urgência que eu não havia sentido no primeiro beijo. Dessa vez, senti que ele me queria mais que tudo, assim como eu o queria por dentro. Eu o queria ali, agora, amanhã, ontem, a todo instante. Queria-o para sempre, e ainda assim seria insuficiente.</p>
<p>Por fim, quando terminamos, senti o aparelho deslizando de minhas mãos, que jaziam entrelaçadas na nuca de Max.</p>
<p>- Alô, mana?</p>
<p>- MANA, O QUE FOI ISSO? EU QUERO SABER, EU PRECISO SABER, ME CONTA A-G-O-R-A!</p>
<p>- Desculpe, mana, mas agora não dá. Há uma coisinha que preciso fazer.</p>
<p>Desliguei, guardei o celular na bolsa e olhei para Max. Ele sorria um sorriso que eu nunca havia visto &#8211; um belo, puro e limpo sorriso branco e contagiante, que refletia em tudo ao nosso redor. Coloquei meus braços ao redor do seu pescoço, senti suas mãos fortes na minha cintura, apertando meu corpo contra o seu, e disse:</p>
<p>- Então, onde estávamos?</p>
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		<title>Ilusão</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 16:35:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Essa noite, dormi tranquila. Adormeci achando que nada poderia me atingir enquanto eu estivesse de olhos fechados e mente entorpecida, mas, então, ele apareceu. Eu sonhei com seu rosto e com todos os amigos que eu tinha e que nem imaginava que ele pudesse ter. Sonhei com casais, sonhei com montanhas-russas incompletas e carros que <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/10/ilusao/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=131&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa noite, dormi tranquila. Adormeci achando que nada poderia me atingir enquanto eu estivesse de olhos fechados e mente entorpecida, mas, então, ele apareceu. Eu sonhei com seu rosto e com todos os amigos que eu tinha e que nem imaginava que ele pudesse ter. Sonhei com casais, sonhei com montanhas-russas incompletas e carros que as trilhavam e caíam direto na terra. Foi um sonho estranho, mas não é dessas partes esquisitas que me lembro mais.</p>
<p>A cena mais visível em minha mente começa com eu dizendo tudo o que me irritava em uma amiga em comum. Suas atitudes infantis, o fato de ela sempre nos deixar de lado quando não atingia seus objetivos escolares e todo o resto. Eu só sei que explodi e tudo, mas tudo que eu sempre quis falar para ela no mundo real saiu como um jorro da minha boca. Ela ficou evidentemente chateada, e percebi todos me julgando. Até ele parecia me julgar e, então, como faço quando fico constrangida e revoltada, direcionei meus olhos a um ponto fixo e me perdi em pensamentos &#8211; com ele, é claro, apesar da sua presença.</p>
<p>Foi quando todos começaram a caminhar que acordei de meu devaneio. Minha melhor amiga havia se teletransportado da distância em que se encontra agora e estava presente no sonho, ao meu lado. Ela me cutucou, puxou-me pelo cotovelo, e, juntas, começamos a caminhar. Foi aí que me dei conta.</p>
<p>- Onde ele está, mana? &#8211; Foi a única coisa que eu disse a ela. Só sei que, no instante em que perguntei, senti que sabia a resposta.</p>
<p>- Ele saiu com o outro grupinho, mana&#8230; Ele e todos os outros casais. Ele&#8230; Ele estava com alguém também&#8230;</p>
<p>Eu não ouvi o resto da frase. De repente, o mundo inteiro pareceu desabar sobre mim, e o dia, claro e límpido como estava, tornara-se escuro e gélido. As gotas de chuva caíam grossas e largas, cada uma parecendo abrir uma cratera maior dentro de mim. Então, olhei para ela, boquiaberta, soltei minha mão da dela e fui em direção ao grupo. Eu não fazia ideia de onde ele se encontrava, mas eu senti. Caminhei com uma tranquilidade incontida e, quando cheguei perto o suficiente para enxergar as mãos dele entrelaçadas com as dela, eu desabei.</p>
<p>Não, eu não caí e fiquei parada em posição fetal no chão como gostaria de ter feito. Eu estava longe do grupo todo, então, tomei impulso e corri. Corri, corri e corri. Eu atravessei as pessoas empurrando-as, jogando cada uma delas pro lado para abrir passagem para minha tristeza. De costas, eu, apesar de saber qual era ele, não conseguia identificá-lo. Apenas empurrei todos os homens que estavam ali e continuei correndo.</p>
<p>Eu corri, corri e corri. Corri tanto que senti a adrenalina invadindo meu corpo. Eu não sabia aonde chegaria, mas sentia que havia alguém atrás de mim. Pensei que fosse ele. Juro que minha intuição dizia que era a sua figura que corria atrás de mim, mas não ousei olhar por cima do ombro para ter certeza. Eu apenas continuei correndo e, de repente, cheguei à minha casa. Empurrei a porta da portaria com toda a força que pude e tentei abrir a porta de meu apartamento, que jazia trancada. Através da vidraça que ladeava a portaria, pude ver a sombra de um semblante. Eu sabia que era ele &#8211; ou apenas queria acreditar que era.</p>
<p>A porta destrancou-se e uma conhecida saiu. Não a cumprimentei, não sorri, não disse nada. Eu apenas entrei em casa e corri em círculos intermináveis. De repente, um sensação me invadiu. Eu senti que era hora de sair de casa, e assim fiz.</p>
<p>A imagem continuava lá, parada e infeliz. Suspirei, pensando no interrogatório que ele faria e que eu não queria responder por saber que me entregaria demais. Quando abri a porta, deparei-me com uma figura mais baixa do que eu e de cabelos louros e compridos &#8211; não era ele. Era uma amiga que eu nem sabia que tinha, a postos com dois guarda-chuvas na mão e esperando-me para irmos a uma festa. Soltei a respiração e conversamos coisas que não lembro que falei, mas, juntas, fomos até o carro estacionado em frente ao meu prédio. Desajeitadamente, chegamos na festa, e o cenário mudou completamente. Eu não sei o que aconteceu, juro que não lembro.</p>
<p>Mas de uma coisa eu tenho certeza: eu queria que ele tivesse ido atrás de mim naquele sonho. Não só nele, mas na vida real também. Eu queria que ele surgisse do nada, que viesse me buscar e me tomasse em seus braços. Eu queria, quero, desejo tanto! Mas não tenho esse otimismo todo para acreditar que pode ser verdade. Nem meus sonhos acreditam no que eu duvido que aconteça, como posso confiar em algo que sinto que possui chances remotas de ocorrer?</p>
<p>Eu ainda queria que fosse ele atrás daquela porta. Assim como queria que ele me sentisse em seu coração a todo momento, assim como o sinto.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/punknidea.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/punknidea.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/punknidea.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/punknidea.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/punknidea.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/punknidea.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/punknidea.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/punknidea.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/punknidea.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/punknidea.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/punknidea.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/punknidea.wordpress.com/131/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/punknidea.wordpress.com/131/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/punknidea.wordpress.com/131/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=131&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Sinfonia</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Dec 2010 00:35:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos de Anaize]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu imaginava mil coisas sem parar. Imagens, cenas, diálogos inventados. Mas contive-me. Observei o caminho mais uma vez e senti que estava na rua certa. Fitei o chão de cimento e contei os grudes de chiclete na calçada. Por fim, levantei a cabeça e olhei a entrada do prédio dele. A porta de vidro, ladeada <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/09/sinfonia/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=122&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu imaginava mil coisas sem parar. Imagens, cenas, diálogos inventados. Mas contive-me. Observei o caminho mais uma vez e senti que estava na rua certa. Fitei o chão de cimento e contei os grudes de chiclete na calçada. Por fim, levantei a cabeça e olhei a entrada do prédio dele. A porta de vidro, ladeada por mármore branco e límpido, intimidava-me. Subi os degraus claros e parei em frente  ao interfone. Suspirei. Meu coração acelerou e eu podia sentir as borboletas dentro de mim.</p>
<p>Trêmula, digitei a combinação de seu apartamento. Três, zero, dois. Eu vinha cantarolando-a para não esquecer. Não sei como lembrei quando deparei-me com a portaria.</p>
<p>- Olá? &#8211; Ouvi sua voz, ligeira e curiosa, do outro lado da linha.</p>
<p>- An, oi&#8230; É&#8230; Sou eu. &#8211; Porque eu não conseguia pensar direito? Droga.</p>
<p>Ele falou algo de volta que não escutei e ouvi o barulho da porta sendo destrancada. Empurrei-a pesadamente e suspirei mais uma vez. Talvez eu devesse ficar ali, parada para sempre. Parecia mais sensato no momento.</p>
<p>Atravessei o hall belo e elegante e apertei o botão do elevador. Não queria subir as escadas para não atrair uma gota sequer de suor. As portas se abriram e entrei a passos trôpegos e cautelosos. Olhei-me no espelho &#8211; nada mal, afinal, apesar de o clima ter estragado o meu visual. Mas pelo menos meu cabelo não havia eriçado completamente. O aviso de que eu havia chegado ao terceiro andar soou calma e brevemente por segundos que pareceram intermináveis. Saí e encarei o corredor, total e completamente perdida e envergonhada.</p>
<p>As duas paredes que me cercavam pareciam não ter fim. A extensão do local transpunha imensidão, apesar de pequenina. Dei um passo lento e vagaroso e observei uma porta se abrir. &#8220;Pronto&#8221;, pensei, &#8220;é agora ou nunca&#8221;. O rosto dele surgiu na fresta e não pude conter um sorriso. Ele correspondeu, abriu mais a porta e esperou que eu chegasse até ele. Ao ver sua imagem ali, diante de meus olhos, parada, linda, esguia e fixa, quase sucumbi ao torpor. Ainda pergunto-me como sobrevivi aos sobressaltos do meu coração.</p>
<p>Parei em frente a porta e cruzei as mãos, como costumava fazer quando ficava sem graça. Ele abriu caminho para que eu passasse e entrasse em seu apartamento, e eu continuava sem saber direito o que fazer. Entrei e fiquei parada, perplexa, arfante, esperando uma atitude vinda dele.</p>
<p>Por fim, ele convidou-me para ir até seu quarto.</p>
<p>A porta já trazia um ar que avisava tremendamente que o local pertencia a ele. Desenhos e rabiscos compunham a extensão dela, e algumas notas musicais estavam presas aleatoriamente entre as figuras. Entrei e deparei-me com um quarto que o refletia exatamente como imaginei &#8211; luzes apagadas, apenas pela iluminação do abajur ao lado da cama, sobre o criado-mudo, e outro menor, sobre a escrivaninha, onde eu pude ver, claramente, ele se debruçar durante horas a fio para estudar suas matérias mirabolantes e inintendíveis para mim.</p>
<p>O computador preto jazia ligado sobre a extensa escrivaninha. A cadeira havia sido colocada de lado, dando a intenção de que tivera sido ocupada há poucos minutos atrás. A janela, na mesma parede que o móvel, mantinha apenas uma pequena passagem aberta, por onde uma corrente leve de ar penetrava o ambiente e farfalhava as cortinas creme. A cama box de casal, encostada na parede que formava um L com a do seu local de estudo, estava arrumada e conservada. A colcha branca era grossa e terminava num verde escuro que quase tocava o chão de linóleo.</p>
<p>As paredes eram revestidas por uma madeira marrom, como se fizessem parte de algum tipo de sótão outrora abandonado. O guarda-roupa estava posicionado na parte mais longe do quarto, mas combinava com a escrivaninha simples e singela. Havia uma porta sanfonada que, pelo que imaginei, daria direto a um banheiro pequeno e limpo. Tudo era tão organizado em seu recinto que envergonhei-me pela bagunça constante que era o meu.</p>
<p>Ele entrou no quarto logo que pus os pés nele, e se posicionou na cadeira em frente ao computador. Estava reclinado e parecia confortável, enquanto eu continuava em pé, deslocada. Ele disse que eu poderia sentar-me na cama se quisesse ou simplesmente colocar minha bolsa ali. Direcionei-me ao colchão macio e sentei, com a bolsa no colo, os pés balançando e fitando o teto. A iluminação proveniente do abajur bruxuleava nas paredes, e tive vontade de fazer bichinhos com a sombra da mão. Mordi o lábio inferior, como costumava fazer quando sentia-me desconfortável, e olhei o chão.</p>
<p>- Julie? &#8211; Sua voz parecia curiosa e empolgada, e fez com que eu levantasse minha cabeça imediatamente ao ouvi-la soar no silêncio que pairava entre nós.</p>
<p>- Sim? &#8211; Respondi, curiosa. Que diabos eu fazia ali, afinal?</p>
<p>- Poderias vir aqui um momento, por favor?</p>
<p>Mecanicamente, coloquei minha bolsa de lado e levantei. Caminhei decidida até onde ele estava e parei, olhando a tela do computador.</p>
<p>- Bom, eu escrevi uma música, mas não sei se ficou boa. Eu queria que lesses e me dissesses o que achas da letra, tudo bem?</p>
<p>- Está em inglês? Você sabe que sou péssima nisso.</p>
<p>- Sim, mas eu tenho ela traduzida aqui, apesar de ter perdido um pouco as rimas e o ritmo quando passei pro português. &#8211; Ele ergueu os ombros como quem diz: &#8220;me desculpe&#8221;, e eu apenas sorri e apoiei a mão sobre a escrivaninha para poder me aproximar e ler melhor.</p>
<p>- Hum, queres sentar? &#8211; Achei que ele havia liberado a cadeira para que eu sentasse, mas, pelo contrário, chegou um pouco mais pro lado e deixou um espaço vazio para que eu o completasse. Não me incomodei &#8211; na verdade, era bem melhor assim.</p>
<p>- An, tudo bem&#8230; Onde está? &#8211; A tela mostrava um site de relacionamentos qualquer e letra alguma. Franzi o cenho e mordisquei o lábio mais uma vez.</p>
<p>- O que? Ah, desculpe! &#8211; Ligeiramente, a tela mudou de um colorido intenso para um branco calmo e puro. A letra preta era grande e senti vontade de pigarrear teatralmente, mas contive-me.</p>
<p>Apertei os olhos e comecei a ler a canção.</p>
<p>&#8220;<em>Eu queria uma chance</em><br />
<em> Uma apenas, para te mostrar</em><br />
<em> Que eu não mentiria</em><br />
<em> Se pudesse te ter aqui comigo</em></p>
<p><em>Eu queria apenas uma fração</em><br />
<em> Uma parte dessa sua vontade</em><br />
<em> E queria que ela tivesse um pouco de mim</em><br />
<em> Um pouco de mim para existir</em></p>
<p><em>Eu já não consigo evitar</em><br />
<em> Quando todos os sinais apontam para outra direção,</em><br />
<em> É apenas a sua que quero seguir.</em><br />
<em> Eu não consigo parar</em><br />
<em> Quando todos me dizem para ir embora e esquecer,</em><br />
<em> Bom, é nessa hora que mais lembro de você</em></p>
<p><em>Eu queria que pudesses me ver agora</em><br />
<em> Ler meus pensamentos,</em><br />
<em> Decifrar meus batimentos</em><br />
<em> Que entendesses o que sinto</em></p>
<p><em>Eu queria uma brecha,</em><br />
<em> Uma fresta que fosse</em><br />
<em> Apenas para te mostrar</em><br />
<em> Que eu não te machucaria, como vejo te machucar</em></p>
<p><em>Eu queria criar a canção mais bonita</em><br />
<em> Para que visses a verdade em minhas palavras</em><br />
<em> Mas como inventar uma coisa</em><br />
<em> Que penso não existir definição?</em></p>
<p><em>Eu já não consigo evitar</em><br />
<em> Quando todos os sinais apontam para outra direção,</em><br />
<em> É apenas a sua que quero seguir.</em><br />
<em> Eu não consigo parar</em><br />
<em> Quando todos me dizem para ir embora e esquecer,</em><br />
<em> Bom, é nessa hora que mais lembro de você</em></p>
<p><em>Se eu pudesse fazer um desejo</em><br />
<em> Um apenas, que fosse</em><br />
<em> Eu desejaria te ter aqui ao meu lado</em><br />
<em> Porque não há nada que eu queira mais agora</em><br />
<em> Do que você, baby, você</em><br />
<em> Você e essa tensão toda que me faz sentir</em></p>
<p><em>Eu já não consigo evitar</em><br />
<em> Quando todos os sinais apontam para outra direção,</em><br />
<em> É apenas a sua que quero seguir.</em><br />
<em> Eu não consigo parar</em><br />
<em> Quando todos me dizem para ir embora e esquecer,</em><br />
<em> Bom, é nessa hora que mais lembro de você</em>&#8220;</p>
<p>Soltei a respiração que nem percebi que havia prendido. Olhei-o e vi que ele me observava, então apenas disse a primeira coisa que veio em minha mente.</p>
<p>- Uau.</p>
<p>- Hum, &#8220;uau&#8221;. Isso é bom ou ruim? &#8211; Ele deu um meio sorriso.</p>
<p>- É ótimo! Max, eu gostei, gostei muito da canção. Não sei de onde tiras tanta inspiração nem para quem é a letra, mas é linda.</p>
<p>Ele me encarou, levemente constrangido.</p>
<p>- Pensei que soubesses. Enfim, não importa de onde vem e nem para quem é&#8230; Não faz tanta diferença.</p>
<p>- Às vezes faz para quem você menos espera, Max. Para quem é, afinal?</p>
<p>Transformei meus lábios numa linha fina e selei-os. Eu não queria ouvir a resposta &#8211; tinha uma breve ideia de que não seria nada boa.</p>
<p>Ele abriu a boca para falar, mas não disse nada. Apenas continuou me encarando, fixa e penetrantemente, enquanto eu continuava sem piscar e respirar para não perder uma palavra sequer que ele pudesse dizer.</p>
<p>Mas, ao contrário de palavras, recebi um toque. A mão de Max pousou levemente sobre a minha, segurou-a e levou-a até sua boca. Deu um beijo leve e entrelaçou seus dedos aos meus, enquanto eu continuava parada, imóvel, sem conseguir mexer um músculo. Eu apenas sentia as borboletas remexerem-se dentro do meu estômago e, quando Max virou-se e direcionou seus lábios de encontro ao meu, tive a sensação de encontrar o paraíso.</p>
<p>Talvez eu tenha morrido naquele momento, eu não sei. A única certeza que eu tinha era a de que amava Max e toda a complexidade que compunha o seu ser. Eu não me importava com mais nada &#8211; não tinha mais dúvidas, medos ou receios. Eu apenas me entreguei. Enrolei meu corpo ao dele, e, juntos, tocamos a mesma sinfonia. Ainda sinto o dedilhar dele sobre mim, tamborilando leve e ardentemente sobre minha pele, enquanto eu fraquejava e arfava sob seus dedos hábeis e seu amor incontido.</p>
<br />Filed under: <a href='http://punknidea.wordpress.com/category/textos-de-anaize/'>Textos de Anaize</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/punknidea.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/punknidea.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/punknidea.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/punknidea.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/punknidea.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/punknidea.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/punknidea.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/punknidea.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/punknidea.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/punknidea.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/punknidea.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/punknidea.wordpress.com/122/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/punknidea.wordpress.com/122/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/punknidea.wordpress.com/122/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=122&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Entremeios</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 20:55:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos de Anaize]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu estava vestida de acordo com a ocasião que enfrentaria logo após a minha chegada à casa. Regata branca e leve, justa e simples, combinada com uma saia de cintura alta estampada por flores rosas e alegres. Meus pés calçavam uma sapatilha branca e límpida, com um único laço enfeitando a ponta de cada componente <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/08/entremeios/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=119&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu estava vestida de acordo com a ocasião que enfrentaria logo após a minha chegada à casa. Regata branca e leve, justa e simples, combinada com uma saia de cintura alta estampada por flores rosas e alegres. Meus pés calçavam uma sapatilha branca e límpida, com um único laço enfeitando a ponta de cada componente do par. Minha bolsa costumeira pendia de meu ombro direito e meus braços, começando a ceder sob o peso do mundo imaginário,  seguravam uma pilha de livros que nem sei como eu conseguia carregar. Diminuí o passo sobre o cimento cinza e pontilhado de pedras minúsculas e coloridas enquanto atravessava o pavimento que me levaria até o meu último dever no recinto. Eu parecia estar prestes a parar enquanto caminhava, e, chegando à saída ladeada por uma grade de arame em ambos os lados, alguém esbarrou em mim no ombro esquerdo, e meus livros caíram todos com um baque surdo no chão.</p>
<p>Abaixei a cabeça, fitando o mar de livros sobre meus pés, e suspirei pesadamente. &#8220;Que droga, porque essas coisas sempre acontecem comigo?&#8221; pensei secretamente. Agachei-me e comecei a empilhá-los outra vez, na ordem que havia definido minutos antes. Nacional, internacional, romance, ficção científica, drama, suspense&#8230; E uma mão forte segurou o último livro que restava e me entregou. Seguramo-lo juntos e olhamo-nos nos olhos. Eu sorri, enquanto batidas frenéticas se alastravam pelo meu corpo inteiro. Minhas pernas começaram a ficar bambas e apoiei-me na pilha que jazia no chão. Peguei o livro restante e coloquei-o no lugar.</p>
<p>- Posso levá-los para você? &#8211; perguntou ele em sua voz doce e envolvente, que penetrou por minha espinha e eriçou todos os pelos do meu braço. Murmurei um &#8220;claro&#8221; arfante e incompreensível que pensei que ele não houvesse escutado, mas ele esticou os braços e pegou a pilha que, para mim, parecia pesada demais, mas que, aninhada em seu abraço, quase parecia não ter peso algum. Levei minha mão direita aos lábios, como costumava fazer quando estava pensando, e continuei a andar ao seu lado, de cabeça baixa. Eu sentia o olhar dele em minha nuca, mas tinha medo de olhá-lo de volta. Por fim, quando chegamos à margem da calçada, avisei-o que precisaria atravessar.</p>
<p>- Tenho que entregar um documento no cartório do outro lado da rua. Podes ir comigo se quiseres, mas entenderei caso não o queiras. &#8211; Dei um sorriso torto e levantei os ombros num movimento que dava um ar de &#8220;tanto faz&#8221;, apesar de, por dentro, eu desejar intensamente que ele fosse comigo.</p>
<p>- Não, tudo bem, irei até lá contigo. Quero evitar um acidente caso não consigas atravessar a rua e carregar os livros ao mesmo tempo. &#8211; Ele sorriu de volta, e apenas assenti. Eu queria que ele tivesse dito algo a mais, que tivesse demonstrado que estava indo comigo porque queria estar ao meu lado, não por sentir obrigação. Mas apenas segui em frente e, juntos, atravessamos a rua que, de repente, parecia ter ganhado vida diante de meus olhos.</p>
<p>- Só um instante. &#8211; Eu disse ao chegarmos no cartório. Ele concordou e se apoiou na mureta ao redor da construção enquanto eu abria a porta. Respirei fundo e entrei, relutante. Não queria fazer isso, mas era preciso.</p>
<p>- Com licença, moça. An&#8230; O&#8230;- Eu nem precisei perguntar se ele estava. A porta detrás da balconista se abriu num rompante, e a figura ilustre de Caio surgiu, cintilante, diante de meus olhos. Ele me fitou com olhos duros e severos, e recuei um passo por reflexo. Encaramo-nos por um instante e, por fim, sua voz reverberou pelo pequeno espaço que configurava o escritório.</p>
<p>- Sim, Julie,  olá. Há quanto tempo, não? Em que posso ajudá-la?</p>
<p>- Vim entregar o documento solicitado. É, foi um longo tempo, sim. &#8211; Meus lábios transformaram-se numa linha fina e cerrei-os até que, finalmente, ele resolveu falar.</p>
<p>- Tudo bem. &#8211; Suspirou, frustrado. &#8211; Um instante, por favor. &#8211; E ele sumiu pela mesma porta em que havia entrado. Da janela eu enxergava Max, que me esperava calmamente, e tive a impressão de que ele prestava atenção a cada movimento realizado onde eu estava.</p>
<p>- Bom, Julie, pode me entregar o documento, por favor? &#8211; Eu nem havia notado sua volta, mas acordei no instante seguinte, abri minha bolsa e retirei o envelope pardo que pesava.</p>
<p>- Obrigado. &#8211; Foi a única coisa que ele disse depois de me observar por um longo e inquietante momento, para depois dar meia volta e atravessar a porta outra vez. Senti que a tensão que pairava entre nós poderia ser sentida até fora das paredes descascadas e mal cuidadas do lugar.</p>
<p>Sem dirigir um último olhar à balconista, saí e encontrei Max parado, olhando-me curioso. Cerrei os punhos e sorri, ele se levantou e nada disse. Apenas caminhou em direção ao ponto de ônibus que nos esperava do outro lado. Nenhum dos dois falou uma palavra sequer, e fiquei pensando no que se passava em sua mente naquele momento. Max às vezes era tão misterioso&#8230;</p>
<p>Pegamos o primeiro ônibus que passou, afinal, todos iriam parar no mesmo ponto final. Sentei no assento ao lado da janela e peguei meus livros de volta quando ele sentou ao meu lado. Eu precisava segurar alguma coisa para deixar minhas mãos mais quietas &#8211; elas não queriam parar de tremer. Max olhou-me e fez a pergunta que eu tinha medo de que fizesse.</p>
<p>- O que aconteceu entre você e o cara lá do cartório?</p>
<p>Olhei a janela, sem ver o que passava por trás dela. Eu não queria responder, mas senti que, se eu não o fizesse, Max não me deixaria em paz até saber.</p>
<p>- Bom&#8230; A gente se conheceu há um tempinho atrás. Saímos algumas vezes e ele tentou algo comigo, mas eu não quis. Eu disse que não ficava com uma pessoa enquanto gostava de outra, ele não aceitou o fato de que eu pudesse já gostar de outro alguém e ficou furioso. Depois daquele dia, nunca mais nos falamos. Se eu não fosse obrigada a entregar o documento a ele, juro que não poria mais meus pés naquele lugar. &#8211; Recostei minha cabeça e o olhei, tentando ler alguma resposta em sua expressão. Mas Max estava inflexível, apenas fitava o chão, como se prestasse atenção em cada palavra que eu dizia e tentasse interpretá-la.</p>
<p>- Então ele não aceitou o fato de você gostar de outra pessoa que não fosse ele?</p>
<p>- É.</p>
<p>- Entendo.</p>
<p>Sorri e assenti. É claro que ele entendia. Ele sempre entendia tudo sobre mim, era incrível esse dom que ele tinha.</p>
<p>- Mas, afinal&#8230; De quem você gosta?</p>
<p>Olhei-o, incrédula. Como ele ousava perguntar? Será que não estava estampado o suficiente na minha testa para que ele entendesse, ele, ainda por cima, obrigaria-me a dizer?</p>
<p>- Ninguém importante.</p>
<p>Ele levantou uma sobrancelha e franziu o cenho.</p>
<p>- Eu não vou lhe contar. &#8211; Mostrei a língua e pisquei, num tom de brincadeira. &#8211; E você, Max, gosta de alguém?</p>
<p>- Gosto. Mas não sei se deveria.</p>
<p>- Por que?</p>
<p>- Porque ela acabou de me dizer que gosta de outra pessoa, e tenho medo de que não seja eu.</p>
<p>Fitei-o, boquiaberta. O que? Isso estava mesmo acontecendo?</p>
<p>- Estás brincando comigo, não é mesmo?</p>
<p>- Não, não estou. &#8211; Ele me olhou, em tom de derrota.</p>
<p>- Então porque você não me contou antes, Max? Eu achava que você&#8230; Achava que&#8230; Não queria&#8230; Nada. Comigo!</p>
<p>- Não me culpe, Julie, eu só&#8230; Vi você saindo com aquele cara e, bom, o jeito que ele olhava para você&#8230; Eu achei vocês estavam juntos, então tentei esquecê-la. Eu quase consegui, juro que quase consegui! Mas quando eu a vi hoje&#8230; Tudo voltou tão forte como tinha existido antes, quando pensei que você pudesse sentir algo por mim.</p>
<p>- Eu sempre lhe amei, Max. Sempre tentei lhe dizer, mas você nunca percebeu. Nunca notou, nunca demonstrou sentir algo em troca&#8230; Entende agora porque eu saí com aquele cara? Foi para tentar lhe esquecer, mas eu não consegui. Eu não consigo e&#8230;</p>
<p>Max pousou o indicador sobre meus lábios. Desenhou um &#8220;shh&#8221; com os seus e olhou fundo em meus olhos. Nesse momento, pude sentir que ele leria minha alma se quisesse. Mas eu não me importava, não mais. Minha alma era dele, total e completamente pertencente àquele teimoso e pertinente Max que nunca me dava certeza de nada. Eu já não sentia medo de que ele decifrasse-me. Pelo contrário: eu queria que fizesse isso.</p>
<p>Lentamente, ele tirou o dedo que jazia sobre minha boca e segurou minha mão. Sorrimos. Beijamo-nos, desajeitada e enroladamente, mas foi perfeito como todo primeiro beijo deveria ser. Porque eu o amava, e nada, nada mais importava. Nem o lugar, nem as pessoas, nem o tempo. Só nós. E uma vida inteira unida pela frente.</p>
<br />Filed under: <a href='http://punknidea.wordpress.com/category/textos-de-anaize/'>Textos de Anaize</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/punknidea.wordpress.com/119/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/punknidea.wordpress.com/119/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/punknidea.wordpress.com/119/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/punknidea.wordpress.com/119/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/punknidea.wordpress.com/119/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/punknidea.wordpress.com/119/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/punknidea.wordpress.com/119/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/punknidea.wordpress.com/119/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/punknidea.wordpress.com/119/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/punknidea.wordpress.com/119/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/punknidea.wordpress.com/119/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/punknidea.wordpress.com/119/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/punknidea.wordpress.com/119/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/punknidea.wordpress.com/119/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=119&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cinza negro</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2010 05:11:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos de Anaize]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei deitada, embaixo das cobertas, ouvindo o som da chuva que ameaçava não cessar. Eu não tinha ânimo algum e vontade nenhuma, apenas queria ficar ali e dormir para sempre, mas não podia fechar os olhos &#8211; se eu os fechasse, veria teu rosto, e não queria vislumbrar-te outra vez. Tua imagem vinha me assombrando <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/08/cinza-negro/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=113&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei deitada, embaixo das cobertas, ouvindo o som da chuva que ameaçava não cessar. Eu não tinha ânimo algum e vontade nenhuma, apenas queria ficar ali e dormir para sempre, mas não podia fechar os olhos &#8211; se eu os fechasse, veria teu rosto, e não queria vislumbrar-te outra vez. Tua imagem vinha me assombrando em todas as 24 horas do dia que eu presenciava. Era torturante, e eu não via remédio para essa constante imutável que persistia em me perseguir.</p>
<p>Respirei fundo e fitei o teto. A tinta, outrora branca e límpida, agora jazia em filetes sujos e descascados, onde se podia ver o cimento cru e nu por cima dos tijolos. Parecia que meu quarto refletia o meu espírito, e tudo que eu tocava se tornava impuro e imundo. Meus pensamentos eram negros e nebulosos, e dentro de mim instalava-se um sentimento bruto de fúria e de morte.</p>
<p>Eu queria rasgar, sangrar, dilacerar. Queria deixar tudo em cores e carnes vivas e lapidar todos os quatro cantos do mundo que estivessem total e completamente fora de contexto. Eu desejava, no interior mais sórdido e turvo do meu ser, fazer todos se sentirem da mesma forma terrível e dilacerante que eu me sentia naquele instante. Ah, como eu queria! Mas não podia. Eu não tinha meios nem de fugir daquelas quatro paredes irritantes que me encaravam e cercavam.</p>
<p>Eu ouvia o tic-tac do relógio e me perguntava que horas eram no momento. Eu não queria levantar para descobrir, minhas pernas pesavam e pareciam sacos de chumbo presos ao meu tronco. Eu sentia o odor acre de roupa empilhada e de pólvora no ar. Eu podia captar e segurar cada pedacinho preto que compunha o instrumento que fazia parte da minha destruição. E eu apenas continuava ali, serena e desperta, sentindo o mundo se agitar dentro de mim.</p>
<p>Eu queria, tinha, devia, necessitava matar aquela dor latejando iteriormente. Eu não consegui remédios, passatempos, diversão que me fizesse sucumbir à felicidade outra vez. Eu estava pálida e havia grandes e pavorosas bolsas roxas debaixo de meus olhos secos de tanto chorar. Não havia mais uma lágrima sequer que pudesse sair. Eu abaixei a mão e toquei o carpete negro do chão. Levei-a de encontro ao espelho pequeno e partido que estava jogado embaixo da cama e observei meu rosto. Eu já não me reconhecia mais. Estava magra, esquelética, e minhas forças pareciam poucas até para respirar e sussurrar.</p>
<p>Uma leve batida na porta. Ignorei-a por completo e esperei até que fossem embora. A espera parecia durar a eternidade, mas os segundos após a partida foram rápidos e sagazes. Eu levantei, com dificuldade, e dirigi-me à escrivaninha. Abaixei-me, abri a terceira gaveta da fileira e mexi nos objetos jogados e bagunçados. Eu procurei, durante rasos minutos, pelo objeto que me livraria daquele tormento rápida e certeiramente. Encostei no cano metálico e gelado e repousei meus dedos ali por um instante. Por fim, sem aguentar esperar mais, peguei-o com as duas mãos e livrei-o do caminho de histeria que se encontrava naquela gaveta esquecida e cheia de lembranças.</p>
<p>Olhei a arma prata e pequena entre minhas mãos e suspirei. O movimento doeu e, depois dele, não tive mais dúvidas. Virei-a em direção ao centro da minha testa, de forma que eu pudesse enxergar o que estava fazendo. Posicionei os dedos, mordi o lábio, prendi a respiração e selei meu destino.</p>
<br />Filed under: <a href='http://punknidea.wordpress.com/category/textos-de-anaize/'>Textos de Anaize</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/punknidea.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/punknidea.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/punknidea.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/punknidea.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/punknidea.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/punknidea.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/punknidea.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/punknidea.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/punknidea.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/punknidea.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/punknidea.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/punknidea.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/punknidea.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/punknidea.wordpress.com/113/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=113&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Singelos lamentos adejantes</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Dec 2010 03:23:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos de Anaize]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu queria que postasses. Sobre hoje, sobre mim, sobre alguma coisa. Eu queria que desses um sinal de vida, pelo menos, para que eu me sinta mais remotamente menos péssima do que estou agora. Estou com sono, muito sono. Mas as lágrimas insistem em não cessar, e parece que nada me ajuda a fazer isso <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/07/singelos-lamentos-desejosos/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=107&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu queria que postasses. Sobre hoje, sobre mim, sobre alguma coisa. Eu queria que desses um sinal de vida, pelo menos, para que eu me sinta mais remotamente menos péssima do que estou agora. Estou com sono, muito sono. Mas as lágrimas insistem em não cessar, e parece que nada me ajuda a fazer isso parar. Essa dor que pulsa aqui dentro&#8230; Será que já pensasses que ela poderia ser pior que a certeza de saber que não queres? Ah, como estás errado se pensas que não.</p>
<p>Eu estou com os pensamentos confusos hoje. Já é meu terceiro post aqui, e costumo colocar só contos nesse lugar. Eu normalmente deixaria para postar sobre essas dores no Tumblr, mas&#8230; Eu corro o risco de que leias as palavras escritas lá. Aqui, bom, há como chegares até aqui também, mas é menos evidente do que lá. Se estiveres lendo &#8211; o que eu acho básica e completamente impossível &#8211; saibas que eu preferia uma resposta tua do que essa incógnita enorme que paira sobre minha mente agora. Eu queria falar tanto sobre tudo hoje&#8230; Mas parece que só lembro dos abraços e esqueci das palavras. Ah, e, é claro, da minha tremedeira também. Isso, bom, eu não esquecerei, assim como, dificilmente, te esquecerei.</p>
<br />Filed under: <a href='http://punknidea.wordpress.com/category/textos-de-anaize/'>Textos de Anaize</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/punknidea.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/punknidea.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/punknidea.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/punknidea.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/punknidea.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/punknidea.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/punknidea.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/punknidea.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/punknidea.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/punknidea.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/punknidea.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/punknidea.wordpress.com/107/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/punknidea.wordpress.com/107/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/punknidea.wordpress.com/107/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=107&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Yeah, three</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Dec 2010 02:03:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eu queria que soubesses o quanto dói tu simplesmente pegar e me ignorar. Sabes que é pior do que me deixar ciente da verdade, não é mesmo? Fazer com que eu fique assim, de lado, sobrando, faz com que eu me remeta à mil dúvidas distintas que atravessam minha mente sem parar. Eu fico pensando <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/06/yeah-three/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=101&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu queria que soubesses o quanto dói tu simplesmente pegar e me ignorar. Sabes que é pior do que me deixar ciente da verdade, não é mesmo? Fazer com que eu fique assim, de lado, sobrando, faz com que eu me remeta à mil dúvidas distintas que atravessam minha mente sem parar. Eu fico pensando no porque, e na incerteza frequente que insiste em não me deixar. Por favor, se não queres nada, porque és sempre tão legal comigo? Seria menos doloroso se fosses frio e gélido e eu não tivesse que ter por perto tua personalidade estranha e afável.</p>
<p>É a terceira vez que sou obrigada a te esquecer. Sabes o que é passar pela mesma dúvida três vezes seguidas? Sempre da mesma forma: apareces, naquele teu jeito singelo e sagaz que comove tudo por dentro, e, depois, ignoras-me, fazendo com que eu pense em milhões de teorias que não sei ao certo se são ou não verdadeiras. Eu odeio isso. Odeio ainda mais não conseguir te odiar, e ter que ficar chorando pelos cantos, escondida, e sorrir para não transmitir o que sinto. Detesto ter que esconder o que passa dentro de mim, mas estás fazendo com que eu me submita à isso. E dói, sabe? Estou mudando, e a culpa é tua. Estou me tornando fria e sem sal, e é, mais uma vez, tua culpa. Estou aprendendo a não me importar com os outros e deixá-los de escanteio e, pela terceira vez, a culpa continua sendo total e completamente tua.</p>
<p>Porque não dizes, de uma vez, que não queres nada comigo e para de ficar me levando a esse caminho sem volta novamente?</p>
<p>É a terceira e última vez. Três ainda é meu número da sorte e, quem sabe? Talvez, dessa vez, dê certo, ou, talvez, eu não tenha que passar por isso uma quarta. Seria bom.</p>
<br />Filed under: <a href='http://punknidea.wordpress.com/category/textos-de-anaize/'>Textos de Anaize</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/punknidea.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/punknidea.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/punknidea.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/punknidea.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/punknidea.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/punknidea.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/punknidea.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/punknidea.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/punknidea.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/punknidea.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/punknidea.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/punknidea.wordpress.com/101/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/punknidea.wordpress.com/101/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/punknidea.wordpress.com/101/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=101&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Caro destino.</title>
		<link>http://punknidea.wordpress.com/2010/12/06/caro-destino/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Dec 2010 23:13:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos de Anaize]]></category>

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		<description><![CDATA[Lágrimas, lágrimas&#8230; Porque tão constantes em mim? Antes eu estava tão bem, tão calma, tão sordidamente repleta de inspiração e pacificidade&#8230; Ainda me pergunto que diabos queres de mim, destino. Quando estou conformada e aceitando as verdades que eu mesma inventei para que eu não sofresse e não me machucasse mais, ele aparece e bagunça <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/12/06/caro-destino/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=94&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lágrimas, lágrimas&#8230; Porque tão constantes em mim? Antes eu estava tão bem, tão calma, tão sordidamente repleta de inspiração e pacificidade&#8230; Ainda me pergunto que diabos queres de mim, destino. Quando estou conformada e aceitando as verdades que eu mesma inventei para que eu não sofresse e não me machucasse mais, ele aparece e bagunça tudo de novo. E, como resultado, eu fico assim: chorona, melancólica, aflita. Tendo que sorrir sorrisos que não sinto, direcionar olhares ao que não enxergo e sentir esse negócio que tanto me importuna. Eu queria que fosse recíproco, destino&#8230; Eu queria <strong>tanto</strong>! Mas porque tens que me fazer sentir pela metade, desse jeito tão doloroso e ruim? Eu sinto que não posso mais conter isso em mim, mas como externar se não há, nele, um canto sequer que receba tudo isso que reprimo aqui dentro?</p>
<p>Destino, és cruel. Eu senti minhas pernas bambas de um jeito que nunca havia sentido antes &#8211; aliás, esse tremor reverberou por todo o meu corpo. E eu fiquei lá, trêmula, dispersa e nervosa. Eu não sabia o que falar direito e ainda penso que ele deve ter achado que não possuo cérebro algum. Mas, naquele instante, ele não funcionava. Tinha virado uma esponja fina e aderia tudo sem devolver. E aquele abraço, destino, porque fizeste com que eu o recebesse? Os, aliás &#8211; foram dois dolorosos e apertados abraços com braços que eu queria ter ao meu redor a vida inteira. Mas não posso tê-los, mesmo que queira. Resolvesses deixar que eu, somente, sentisse isso, não é mesmo? E eu te pergunto: porque? O que te fiz, caro destino, para que me deixasses tão trivial e loucamente apaixonada dessa forma que nem mesmo meu mais raro e adejante amor conseguiu fazer com que eu ficasse? Porque tanta raiva de mim, destino? Diga-me, por favor. Eu preciso saber.</p>
<p>Porque não há razão para que eu sinta toda essa dor eloquente. Não há, não há e ponto final. Só prometas algo a mim, destino? Da próxima vez, escolhas um cara perfeito para mim também &#8211; mas, ao contrário, faças com que ele devolva-me todo o sentimento que darei a ele em troca. É tão difícil colocar no meu caminho um alguém assim?</p>
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		<title>Encontro</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2010 04:01:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Anaize</dc:creator>
				<category><![CDATA[Textos de Anaize]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu andava em direção ao lugar combinado, a passos largos. Meu coração palpitava em sintonia com meu caminhar. Minha respiração estava entrecortada e eu quase corria. De longe pude avistar a silhueta esguia que contrastava com a madeira escura da árvore em que estava apoiada. Ele se mexeu e virou em minha direção, mas não <a href="http://punknidea.wordpress.com/2010/11/08/89/" class="excerpt-more-link">[&#8230;]</a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=punknidea.wordpress.com&amp;blog=7545572&amp;post=89&amp;subd=punknidea&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu andava em direção ao lugar combinado, a passos largos. Meu coração palpitava em sintonia com meu caminhar. Minha respiração estava entrecortada e eu quase corria.</p>
<p>De longe pude avistar a silhueta esguia que contrastava com a madeira escura da árvore em que estava apoiada. Ele se mexeu e virou em minha direção, mas não consegui ler sua expressão. A sombra em que se encontrava impossibilitava qualquer chance de leitura, ainda mais naqueles olhos tão distantes.</p>
<p>Eu cheguei e sorri. Abraçamo-nos, e começamos a caminhar rumo ao nosso destino. Com ambas as mãos no bolso, ele mal falava. Só me olhava vez ou outra com um ar travesso, enquanto eu continuava a tagarelar frases sem sentido.</p>
<p>Senti meu celular vibrar. Peguei-o, e senti o coração ficar pesado ao olhar o nome na tela. Era ele, e eu não podia fazer nada. Nada, de verdade. Mesmo se eu quisesse &#8211; e eu queria. Mas era impossível.</p>
<p>“Só queria te desejar um bom final de semana. E sabe, às vezes ainda sinto a tua falta… Enfim, beijo.” &#8211; dizia a mensagem recebida. Eu me sentia mal por fazer ele ficar péssimo, mas eu não tinha escolha. De uma forma ou de outra ele se machucaria, e eu optei pelo caminho que pensei ser menos doloroso &#8211; pelo menos ele nunca sentiria a dúvida do talvez.</p>
<p>Olhei para a imagem na minha frente. Havíamos parado sem que eu percebesse. Eu não consegui conter o mar de sensações reprimidas dentro de mim. Senti meu olhos marejarem-se. Pisquei forte para tentar afugentar as lágrimas e respirei fundo.</p>
<p>- Eu te odeio! &#8211; Foi tudo que eu consegui dizer numa voz falhada. Não esperei resposta. Simplesmente virei-me, procurei os óculos escuros dentro da bolsa e caminhei apressadamente.</p>
<p>A mão dele segurou meu pulso. Senti todo meu corpo tremer, desde os pés até cada ponta dos fios de cabelo. Eu estava arrepiada e mal conseguia respirar. Ele abriu a boca para argumentar, mas eu falei antes que qualquer palavra tivesse a chance de sair da sua boca.</p>
<p>- É, eu te odeio tanto! Não fazes ideia! Tem um amigo meu por aí, e ele gosta de mim, ele <strong>realmente</strong> sente algo por mim, mas eu não consigo sentir nada por ele! Por que? POR QUE? Por que aparecesses na minha vida! Eu estava tão bem sem te ter nela! Eu não entendo porque tinhas que ter aparecido. Realmente, EU NÃO ENTENDO!</p>
<p>Saiu tudo num jorro rápido. Eu não pensei, não calculei. O sangue me subiu à cabeça e, quando eu vi, estava feito. Não tinha mais volta. Eu não sabia o que fazer. Apenas juntei o resto da dignidade que ainda me restava e corri o mais rápido que eu pude.</p>
<p>Eu já não segurava mais as lágrimas. Elas desciam sobre minha face com uma velocidade incalculável, como se apostassem entre si. Eu não pensava, não respirava. Só ouvia o zumbido em meus ouvidos, até eu cansar demais e parar.</p>
<p>Encostei-me na grade de arame, cruzei os braços sobre o peito e suspirei. Eu arfava sem parar. Fechei os olhos e senti a brisa invadir meu rosto. O sol queimava a minha pele, e eu o sentia formigá-la. Um segundo depois, não havia mais luz. Eu já não sentia mais o calor do hélio e era como se tivesse uma barreira diante de mim.</p>
<p>Abri os olhos e enxerguei-o na minha frente. Relutante, tentei me afastar mais uma vez, mas ele me segurou. Eu já não me importava mais com as lágrimas, nem com o rosto corado, muito menos com os olhos esbugalhados. Fiquei parada, perplexa, respirando rapidamente junto com ele.</p>
<p>Suas mãos subiram em direção ao meu rosto e mantiveram-se ali. Ele me olhava como se quisesse gravar cada detalhe mínimo da minha face, e seus olhos tinham uma intensidade tão profunda que eu me perderia neles se pudesse.</p>
<p>Então, ele se aproximou. O que antes eram quilômetros inatingíveis agora eram centímetros dedilháveis. Não ousei me mexer, com medo de, de repente, acordar. Olhei-o de volta, e então, simultaneamente, abaixamos os olhos. Fechamo-os, e eu só sentia a trilha de fogo que seus dedos deixavam sobre mim. Seus lábios tocaram os meus e, então, não havia mais nada.</p>
<p>Só havia eu e ele. E um mundo inteiro ao nosso redor que parecia ter parado para nos assistir. Eu flutuava. E, pela primeira vez na vida, senti-me pertencer a algum lugar. Ao único e singelo lugar cujo sempre pertenci, de corpo e coração.</p>
<p>E alma. Principalmente.</p>
<p>&nbsp;</p>
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